A Campanha Nacional de Multivacinação 2026 começou em todo o Brasil com um objetivo direto: localizar crianças e adolescentes que não foram vacinados ou que possuem doses em atraso e atualizar a caderneta conforme o Calendário Nacional de Vacinação.
A mobilização ocorre entre 3 de agosto e 1º de setembro de 2026. O Dia D nacional será realizado em 22 de agosto, quando estados e municípios poderão ampliar horários, pontos de vacinação e ações de comunicação de acordo com a realidade de cada território.
Embora a estratégia inclua diferentes imunizantes, a proteção contra o sarampo ganhou destaque diante da confirmação de casos e da identificação de circulação do vírus em municípios do estado de São Paulo. A situação reforça uma regra básica de saúde pública: doenças controladas podem voltar a circular quando existem pessoas suscetíveis e coberturas vacinais insuficientes.
A campanha não é exclusiva contra o sarampo
É importante fazer uma distinção para evitar informação imprecisa. A mobilização de agosto é uma campanha nacional de multivacinação, e não uma campanha nacional exclusiva contra o sarampo.
Segundo o documento técnico do Ministério da Saúde, o público-alvo nacional é formado por crianças e adolescentes menores de 15 anos, até 14 anos, 11 meses e 29 dias, que não possuem registro de todas as doses previstas no calendário ou apresentam esquemas incompletos.
Durante a avaliação da caderneta, os profissionais verificam quais vacinas estão pendentes e aplicam as doses indicadas, respeitando idade, histórico vacinal, intervalos, contraindicações e orientações técnicas. Entre os imunizantes disponíveis está a vacina tríplice viral, conhecida como SCR, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.
Por que o sarampo voltou ao centro das atenções
O Ministério da Saúde ampliou temporariamente a recomendação de vacinação contra o sarampo para pessoas de 6 meses a 59 anos nos municípios de São Paulo, São Bernardo do Campo e Guarulhos. A medida foi adotada em resposta a uma cadeia de transmissão relacionada à introdução do vírus nessas localidades.
Essa recomendação ampliada é territorial e não deve ser reproduzida como se fosse uma regra indiscriminada para todo o Brasil. Em escala nacional, a população deve seguir o Calendário Nacional de Vacinação e as orientações da Secretaria de Saúde do município onde reside ou trabalha.
No Rio de Janeiro, por exemplo, a Secretaria Municipal de Saúde reforçou a vacinação em pontos de grande circulação, como aeroportos e rodoviária, além das unidades de Atenção Primária. A estratégia procura reduzir o risco associado ao deslocamento de pessoas e à entrada de casos importados.
O que é o sarampo e como ocorre a transmissão
O sarampo é uma doença viral aguda e altamente contagiosa. A transmissão ocorre de pessoa para pessoa, pelo ar, quando alguém infectado tosse, espirra, fala ou respira.
Entre os sinais e sintomas mais frequentes estão:
- febre alta;
- manchas vermelhas na pele;
- tosse seca;
- coriza;
- conjuntivite;
- mal-estar.
Esses sintomas também podem ocorrer em outras doenças. Por isso, a presença de febre e manchas, especialmente quando associadas a tosse, coriza, conjuntivite ou histórico de viagem e contato com casos suspeitos, exige avaliação por um serviço de saúde. O autodiagnóstico e a ida a ambientes coletivos sem orientação podem ampliar a exposição de outras pessoas.
O sarampo pode provocar complicações, como pneumonia, infecção de ouvido e encefalite. Crianças pequenas e pessoas com comprometimento do sistema imunológico estão entre os grupos com maior risco de evolução grave.
Quem deve conferir a situação vacinal
Toda família deve manter a caderneta atualizada. Durante a campanha nacional, a prioridade operacional são crianças e adolescentes menores de 15 anos.
Pelo Calendário Nacional de Vacinação, a primeira dose da tríplice viral é prevista aos 12 meses e a segunda dose aos 15 meses. Para pessoas com histórico incompleto, a quantidade de doses varia conforme a idade e a condição profissional. Até 29 anos, o calendário prevê duas doses; de 30 a 59 anos, uma dose; e trabalhadores da saúde devem comprovar duas doses, conforme o histórico vacinal.
Situações epidemiológicas especiais podem alterar temporariamente a estratégia. Bebês de 6 a 11 meses, por exemplo, podem receber a chamada dose zero em localidades com circulação do vírus ou em outras condições definidas pelas autoridades de saúde. Essa dose adicional não substitui as doses de rotina previstas a partir dos 12 meses.
A decisão final sobre aplicação, intervalo, contraindicações e necessidade de atualização deve ser tomada pelo profissional da unidade de vacinação.
O que levar à unidade de saúde
Pais e responsáveis devem levar, sempre que possível:
- caderneta ou comprovante de vacinação;
- documento de identificação da criança ou do adolescente;
- cartão do SUS, quando disponível.
A ausência da caderneta não deve ser usada como motivo para desistir da avaliação. A unidade de saúde poderá consultar os registros disponíveis e orientar a conduta apropriada.
Como horários e pontos extras variam entre os municípios, a recomendação é consultar os canais oficiais da prefeitura ou da Secretaria de Saúde local antes do deslocamento.
O papel das empresas na prevenção
A campanha tem foco sanitário, mas também interessa diretamente às organizações. Trabalhadores circulam entre residências, transporte público, escolas, unidades produtivas, escritórios e ambientes de atendimento ao público. Uma comunicação preventiva bem executada pode facilitar o acesso à informação correta e reduzir a disseminação de boatos.
Empresas podem contribuir de forma responsável ao:
- divulgar as datas e os canais oficiais da campanha;
- orientar pais e responsáveis a conferirem a caderneta dos filhos;
- incentivar trabalhadores a verificarem o próprio histórico vacinal, especialmente profissionais da saúde;
- alinhar comunicados com o médico do trabalho, PCMSO, RH e SESMT;
- evitar exposição, constrangimento ou tratamento discriminatório relacionado à condição de saúde de qualquer trabalhador.
Dados de vacinação são dados pessoais de saúde e recebem proteção reforçada pela LGPD. A empresa não deve criar controles paralelos ou exigir comprovantes sem finalidade legítima, necessidade demonstrada, base legal e orientação técnica. A comunicação institucional deve priorizar conscientização, acesso à informação e encaminhamento aos serviços de saúde.
Prevenção depende de informação confiável
O aumento da mobilidade nacional e internacional permite que vírus eliminados ou controlados sejam reintroduzidos. A resposta mais eficiente combina vigilância epidemiológica, identificação rápida de casos, orientação clínica e cobertura vacinal adequada.
A recomendação para famílias e empresas é simples: verificar a caderneta, consultar fontes oficiais e procurar a unidade de saúde quando houver doses em atraso ou sintomas compatíveis.
A Anviseg atua com Gestão Estratégica em Segurança e Medicina do Trabalho, apoiando empresas na construção de ambientes mais seguros, organizados e alinhados às boas práticas de prevenção. Campanhas de saúde bem comunicadas fortalecem a cultura preventiva e ajudam a proteger trabalhadores, famílias e comunidades.
Referências
- Ministério da Saúde. Multivacinação 2026: estratégia para a atualização da caderneta de vacinação das crianças e dos adolescentes menores de 15 anos.
- Prefeitura de São Paulo. Vacinação contra o Sarampo.
- Prefeitura do Rio de Janeiro. Rio reforça vacinação contra sarampo nos aeroportos e na rodoviária.
- Folha de S.Paulo. Tire suas dúvidas sobre o sarampo e a vacinação para conter o avanço da doença.
- G1. Campanha nacional de multivacinação começa nesta segunda; foco é atualizar imunização de crianças e adolescentes.






